Sábado, Janeiro 06, 2007

Hoje soube que uma amiga minha, ex-orientanda de mestrado, desistiu de trabalhar em uma conceituada (mesmo) Universidade pois não aguentava mais a desvalorização da docência e o excesso de trabalho.
Como tem outras possibilidades profissionais resolveu largar tudo, avisou a instituição com antecedência e está se desligando.
Bem, esse não é um caso isolado. Conheço outros excelentes professores na mesma situação.
As instituições de ensino vão perdendo sua inteligentsia e acabei lembrando do "Seu Rangel".
Nos tempos em que cursava arquitetura na FAUUSP, "Seu Rangel" era o bedeu mais conhecido. Devia ter os seus 70 e tantos anos e estava na FAU há décadas.
Lembro-me como se fosse hoje que num determinado dia, revoltado com a qualidade das aulas e dos professores (que besteira...coisa de adolescente!) falei para o "Seu Rangel" que eu queria ser professor universitário.
Ele retrucou dizendo que só virava professor quem não sabia "fazer". Ou seja, segundo sua experiência só os piores alunos seguiam a carreira acadêmica.
Achei que aquela opinião era fruto de uma necessidade de justificar a sua própria falta de estudo mas a situação atual me fez novamente refletir sobre o assunto: será que o "Seu Rangel" estava certo ou será que a sua opinião acabou tomando conta da sociedade brasileira, afastando da academia as pessoas mais preparadas ou mais atuantes?
Seja lá o que aconteceu, esse é um processo muito perigoso.
Como continuo com tendinite vou parar por aqui, mas precisava registrar essa lembrança do "Seu Rangel".

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