Quarta-feira, Junho 13, 2007

Acabei de ler o prefácio da versão brasileira de "A transfiguração do lugar comum" de Arthur Danto.
É impressionante como em cerca de dez páginas Danto faz uma síntese perfeita de toda sua forma de pensar sobre arte e sobre o mundo.
Eu havia lido ha alguns anos a versão original deste texto e quando fui conferir a tradução editada pela Ed. Cosak & Naif em 2005 dei de cara com este prefácio. Uma das coisas que mais me chamou atenção é que nele Danto faz menção a uma coisa que tinha passado despercebido por mim na leitura anterior: que todos as suas reflexões e a construção da teoria do Art World e dos sistemas artísticos foram fundamentadas através do interesse que ele teve com a produção artística da década de 60 e principalmente da pop arte. Pela primeira vez claramente entendi por que o discurso de Danto sempre fez tanto sentido para mim.
De certa maneira algumas pessoas associam meu trabalho a pop art e talvez mais adequadamente ao que chamamos de Neo Pop. Talvez essa associação seja feita por eu me utilizar muito de uma certa transgressão e ireverência na reflexão sobre os meus objetos artísticos, conceitos estes ligados diretamente a pop arte.
Dentre os trabalhos que expressam bem esse reverência posso citar o personagem específico Maria de Castro e siteespecifico.com. Nesmo na minha produção em vídeo, que é mais comportada, podemos notar alguns elementos disfarçados com uma certa transgressão.
Outra coisa interessante é que a lógica que faz com que minhas reflexões sobre Interdisciplinaridade se focalizem soube a legitimação da produção do conhecimento tem relação direta com o que Danto coloca como sendo o papel fundamental do filósofo e a impossibilidade deste ser um especialista. Para o autor o filósofo como ser que tenta entender o mundo não pode fazer essa compreensão de um lugar especificamente localizado. De certa maneira, como ele coloca ao explicitar até a forma como ele se relacionava com o que o rodeia, é preciso uma certa erudição no entendimento das coisas do mundo. Sem dar nome específico para a coisa Danto fala aqui nada mais nada menos do que alguns dos princípios interdisciplinares.
Estou pensando, como exercício, conversar um pouco melhor com esse texto tão sintético e de maneira dialética, como o próprio autor faz ao longo do livro, explicitando melhor para mim mesmo a relação que existe entre essa forma de pensar a arte e meu trabalho artístico e teórico.
Vou até ver se envolvo os alunos da disciplina do mestrado FASM nessa empreitada.

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